São dezenove horas, acorde Medusa
Abra seus olhos, levante a cabeça e olhe para traz
Permaneça sentada, seduze-o sem seu corpo
Use do único artificio, o primeiro notado e mais assustador
Diga "verdes" Medusa. Agora diga "azuis"
Umideça os lábios, limpe todo o musgo
Sorria
Alise seus cabelos, esconda as cobras
Sorria
Diga tudo o que ele quer ouvir mas nunca minta
Apenas seduze-o
Despreze as consequências, atrase seu relógio
Tente olhar em seus olhos, mais fundo, mais fundo, mais fundo
Não diga adeus, e...
É meia-noite, durma Medusa.
B.
junho 09, 2011
abril 28, 2011
Maré vermelha
A vida se maquia. Finge ser longa, passar devagar, ser um acúmulo de fatos, alí, concentrados como a borra de café.
Enquanto isso eu finjo que acredito nela. Eu finjo sentir tédio, finjo querer que ela se acelere.
Eu converso com o tempo, dissimulo, quando na verdade ele é o único confiável entre todos. Só confio no tempo. E mesmo assim, minto pra ele. Peço que ele corra, avance, me dê uma carona para que eu chegue mais rápido ao que desejo.
O tempo é bom comigo. Mas eu aprendi a ser uma atriz, maquiada de vermelho, como a vida.
Sou aquela que se solta do corpo, deita na água fingindo acreditar que é uma maré vermelha, mas ciente de que há correnteza, e ela me carrega.
Meus senhores, não confiem em mim.
B.
Enquanto isso eu finjo que acredito nela. Eu finjo sentir tédio, finjo querer que ela se acelere.
Eu converso com o tempo, dissimulo, quando na verdade ele é o único confiável entre todos. Só confio no tempo. E mesmo assim, minto pra ele. Peço que ele corra, avance, me dê uma carona para que eu chegue mais rápido ao que desejo.
O tempo é bom comigo. Mas eu aprendi a ser uma atriz, maquiada de vermelho, como a vida.
Sou aquela que se solta do corpo, deita na água fingindo acreditar que é uma maré vermelha, mas ciente de que há correnteza, e ela me carrega.
Meus senhores, não confiem em mim.
B.
abril 15, 2011
Bilhete à Mamãe
Bom dia, Mamãe,
A essas horas estou longe.
Deixei meu celular sobre a cama
Deixei aberto o meu quarto
Bebi teu licor
Eu limpei minha vida
Fiz um tipo de aborto
Joguei a cópia da chave por debaixo da porta, que é pra não ter motivo de pensar numa volta
A culpa não é sua, nem minha. Somos assim.
Boa sorte,
Adeus.
B.
A essas horas estou longe.
Deixei meu celular sobre a cama
Deixei aberto o meu quarto
Bebi teu licor
Eu limpei minha vida
Fiz um tipo de aborto
Joguei a cópia da chave por debaixo da porta, que é pra não ter motivo de pensar numa volta
A culpa não é sua, nem minha. Somos assim.
Boa sorte,
Adeus.
B.
abril 07, 2011
E 'flash'
Eu queria ter talento para ser uma atriz. Porque atores podem parar de atuar longe das cameras, ou fora dos palcos. Modelos não.
Até agora passei a maior parte da minha vida adulta parada num cenário por um punhado de dólares a hora, exibindo roupas e sapatos, com o cabelo penteado.
Enquanto isso, algum fotógrafo me dizia o que eu devia sentir.
Ele gritando: - Quero luxúria, Gata!
E flash.
- Quero malícia.
E flash.
-Quero expressão dramática, olhos misteriosos, boca selvagem, e intelectualismo.
E flash.
Nunca somos quem realmente somos. Nunca serei eu. Longe dos ensaios fotográficos tenho que fazer o que mandam também: Me mandam ser magra e bem vestida, sempre.
Nunca comer. Se comer um bolo, vomitá-lo. Manter as medidas ou diminuí-las. Estar sempre cheirando a Chanel nº 5. E conhecer todas as pessoas importantes do mundinho medíocre da moda.
Sabia que as modelos brasileiras sofrem bem mais porque o padrão da mulher brasileira é ter o quadril maior?
E quando a gente dá entrevista falando que come chocolate, é mentira, porque não podemos mesmo!
Então, quando a gente aprende a passar fome, aprende que nos dias de hoje sua beleza importa mais que sua saúde.
Afinal, é minha beleza que me mantém viva. Minha fome que me dá punhados de dólares.
Texto escrito para interpretação de Karina Soares à Semana Cultural Escola Técnica de São Roque.
Baseado em Monstros invísiveis.
Colaborado por André Vaz.
B.
Até agora passei a maior parte da minha vida adulta parada num cenário por um punhado de dólares a hora, exibindo roupas e sapatos, com o cabelo penteado.
Enquanto isso, algum fotógrafo me dizia o que eu devia sentir.
Ele gritando: - Quero luxúria, Gata!
E flash.
- Quero malícia.
E flash.
-Quero expressão dramática, olhos misteriosos, boca selvagem, e intelectualismo.
E flash.
Nunca somos quem realmente somos. Nunca serei eu. Longe dos ensaios fotográficos tenho que fazer o que mandam também: Me mandam ser magra e bem vestida, sempre.
Nunca comer. Se comer um bolo, vomitá-lo. Manter as medidas ou diminuí-las. Estar sempre cheirando a Chanel nº 5. E conhecer todas as pessoas importantes do mundinho medíocre da moda.
Sabia que as modelos brasileiras sofrem bem mais porque o padrão da mulher brasileira é ter o quadril maior?
E quando a gente dá entrevista falando que come chocolate, é mentira, porque não podemos mesmo!
Então, quando a gente aprende a passar fome, aprende que nos dias de hoje sua beleza importa mais que sua saúde.
Afinal, é minha beleza que me mantém viva. Minha fome que me dá punhados de dólares.
Texto escrito para interpretação de Karina Soares à Semana Cultural Escola Técnica de São Roque.
Baseado em Monstros invísiveis.
Colaborado por André Vaz.
B.
março 12, 2011
Alô ?!
- Alô, quem é?
- É a Brï!
- Ah... Oi. Que foi Brï? Que horas são? Eu estava dormindo...
- Eu também. Sonhei com você.
- Que que tem?
- Nada... Só queria contar que sonhei com você.
- Jura? Teve uma premonição, foi? Não vai me dizer que agora virou mãe de santo. Sonhou que eu ganhei na loteria? Já aproveita e me fala os números aí.
- É a Brï!
- Ah... Oi. Que foi Brï? Que horas são? Eu estava dormindo...
- Eu também. Sonhei com você.
- Que que tem?
- Nada... Só queria contar que sonhei com você.
- Jura? Teve uma premonição, foi? Não vai me dizer que agora virou mãe de santo. Sonhou que eu ganhei na loteria? Já aproveita e me fala os números aí.
- …
- Ai, não vai fazer drama agora, hein? Foi só uma brincadeira. Conta pra mim, vai, desembucha logo. O que foi que a gente tava fazendo no sonho? Era um sonho erótico? Fala, Brï!
- Não.
- Que foi? Você tá chorando? Ah meu, não vai começar a chorar, né!
- Não.
- Então conta logo, pô!
- Olha, não era nada não. Até esqueci, mas ok. Depois a gente se fala... Boa noite.
- Mas...
Tu... tu... tu... tu... tu...
B.
março 06, 2011
Azul-piscina
Não sei de onde veio, e nem quem és. Não importo com o que dizem sobre você, mas tenho necessidade de saber o que sentes e pensas. Quem é você, afinal? Peço que feche seus olhos, mas que não me dê as costas.
A ansiedade é uma maldição. É um sentimento que faz a realidade ser distorcida, levando-nos à anestesia do que é certo ou errado, e do que é natural ou não.
Nada entre nós aconteceu com naturalidade, e foi isso o que te incomodou. É tão mais mágico gostar de alguém platonicamente, só de longe. Sentir vontade de chegar perto, e não chegar. De imaginar coisas, de tentar conquistar a partir do que nem sequer conhecemos... Porque a mentira é mágica. Aquilo que não existe é mágico. É surreal (como seus olhos).
Então, apenas eu senti isso. E te coloquei em um patamar planejado, numa função que eu escolhi, e de quebra, te fiz sentir o que eu gostaria que você sentisse- algo inédito. Assim, te dei nossa amizade pronta.
A partir disso, quis que você seguisse o mesmo ritmo que eu, mas isso é impossível. Eu não te deixei respirar, pois às vezes esqueço que o oxigênio é mais importante do que os sentimentos.
Então, voltemos ao início do texto. Ambos ficamos ansiosos um com o outro. Positivamente e negativamente. Eu te sufoquei, te deixei sem o tão precioso oxigênio. Nós distorcemos a realidade, atuamos como se nossa relação fosse algo que já precisasse mudar, assim, com tão pouco tempo de existência... mas não precisa!
Eu quero que continue assim, caminhando no seu tempo. Então, paremos de nos machucar querendo adiantar as coisas... Elas só darão certo se deixarmos o relógio trabalhar sozinho, e assim chegar a hora de eu te dizer Bom Dia novamente.
Você é água que não consigo manter nas mãos, que escorre entre meus dedos. E você é azul como as piscinas que preenche. Você precisa de uma molécula de oxigênio para ser quem você é, e eu prometo não tirá-lo mais de você.
Respire. Estou calma.
B.
A ansiedade é uma maldição. É um sentimento que faz a realidade ser distorcida, levando-nos à anestesia do que é certo ou errado, e do que é natural ou não.
Nada entre nós aconteceu com naturalidade, e foi isso o que te incomodou. É tão mais mágico gostar de alguém platonicamente, só de longe. Sentir vontade de chegar perto, e não chegar. De imaginar coisas, de tentar conquistar a partir do que nem sequer conhecemos... Porque a mentira é mágica. Aquilo que não existe é mágico. É surreal (como seus olhos).
Então, apenas eu senti isso. E te coloquei em um patamar planejado, numa função que eu escolhi, e de quebra, te fiz sentir o que eu gostaria que você sentisse- algo inédito. Assim, te dei nossa amizade pronta.
A partir disso, quis que você seguisse o mesmo ritmo que eu, mas isso é impossível. Eu não te deixei respirar, pois às vezes esqueço que o oxigênio é mais importante do que os sentimentos.
Então, voltemos ao início do texto. Ambos ficamos ansiosos um com o outro. Positivamente e negativamente. Eu te sufoquei, te deixei sem o tão precioso oxigênio. Nós distorcemos a realidade, atuamos como se nossa relação fosse algo que já precisasse mudar, assim, com tão pouco tempo de existência... mas não precisa!
Eu quero que continue assim, caminhando no seu tempo. Então, paremos de nos machucar querendo adiantar as coisas... Elas só darão certo se deixarmos o relógio trabalhar sozinho, e assim chegar a hora de eu te dizer Bom Dia novamente.
Você é água que não consigo manter nas mãos, que escorre entre meus dedos. E você é azul como as piscinas que preenche. Você precisa de uma molécula de oxigênio para ser quem você é, e eu prometo não tirá-lo mais de você.
Respire. Estou calma.
B.
março 01, 2011
fevereiro 26, 2011
Gasoil
Bom mesmo que a viagem tenha sido longa, e cansativa. Olhar em seus olhos depois de tanto tempo e esperar as palavras resolverem sair, por vontade própria, me mostra que você mudou, mas eu não.
E nenhum tremor do ônibus se compararia com o quanto eu tremi. Aproximações são difíceis.
Durante essa semana tenho me sentido menor. Eu tenho enxergado pessoas andando, caminhando para o mesmo caminho, com seus objetivos diferentes. Eu paro. Eu sou aquela que não tem mais vontade de continuar. E você não está como eu, isso dói. Pois eu sei que uma hora eu vou me perder, e parada, todos que estão hoje atrás, passarão na frente. Contra o vento, e contra todos, você caminha. Que estrada é essa? Pra onde ela nos leva, a não ser um grande lago de pessoas que não sabem nadar.
Eu não quero ser deixada pra trás, mas caminhar pra mim parece tão difícil... Por que as coisas são tão padronizadas? Eu não quero ir por esse caminho, mas dizem que essa é a vida.
Eu desisto de tentar te abraçar.
Decidir passar a vida vendo filmes.
Não descobri a utilidade de deslizar zípers.
B.
E nenhum tremor do ônibus se compararia com o quanto eu tremi. Aproximações são difíceis.
Durante essa semana tenho me sentido menor. Eu tenho enxergado pessoas andando, caminhando para o mesmo caminho, com seus objetivos diferentes. Eu paro. Eu sou aquela que não tem mais vontade de continuar. E você não está como eu, isso dói. Pois eu sei que uma hora eu vou me perder, e parada, todos que estão hoje atrás, passarão na frente. Contra o vento, e contra todos, você caminha. Que estrada é essa? Pra onde ela nos leva, a não ser um grande lago de pessoas que não sabem nadar.
Eu não quero ser deixada pra trás, mas caminhar pra mim parece tão difícil... Por que as coisas são tão padronizadas? Eu não quero ir por esse caminho, mas dizem que essa é a vida.
Eu desisto de tentar te abraçar.
Decidir passar a vida vendo filmes.
Não descobri a utilidade de deslizar zípers.
B.
fevereiro 15, 2011
Sobre cativar II
Consegui. A liberdade que senti se compara a uma bexiga, que depois que tão cheia (de ansiedade) estoura feliz! Livre!
Eu me achava simpática, super sociável, aberta, e totalmente desinibida. Então, obviamente, me surpreendi negativamente comigo mesma ao demorar oito dias para fazer a pergunta mais comum e fácil que existe: Qual é o seu nome?
Certo que eu resolvi ir pela estratégia de afirmação e cobrança. Disse exatamente que ainda não sabia seu nome. Se ele fosse aquilo que eu imaginava, se sairia bem nesse capítulo. E se saiu! Não só disse seu nome, como perguntou o meu (e disse que era 'bonitinho'), apertou minha mão, e apresentou seus amigos também. Ganhei meu dia!
Vocês não sabem o que um sorriso e uma voz sincera são capazes de fazer com uma pessoa desesperada, como eu estava antes.
Meu conselho: não temam o primeiro passo. Não se decepcionem com si mesmo ao perder a coragem. E não desistam.
Agora tudo o que quero é tempo pra conquistar outras coisas além de um nome. O nome dele eu já sei.
Esperem por mais notícias sobre a eterna busca de cativar. Cativá-lo.
B.
Eu me achava simpática, super sociável, aberta, e totalmente desinibida. Então, obviamente, me surpreendi negativamente comigo mesma ao demorar oito dias para fazer a pergunta mais comum e fácil que existe: Qual é o seu nome?
Certo que eu resolvi ir pela estratégia de afirmação e cobrança. Disse exatamente que ainda não sabia seu nome. Se ele fosse aquilo que eu imaginava, se sairia bem nesse capítulo. E se saiu! Não só disse seu nome, como perguntou o meu (e disse que era 'bonitinho'), apertou minha mão, e apresentou seus amigos também. Ganhei meu dia!
Vocês não sabem o que um sorriso e uma voz sincera são capazes de fazer com uma pessoa desesperada, como eu estava antes.
Meu conselho: não temam o primeiro passo. Não se decepcionem com si mesmo ao perder a coragem. E não desistam.
Agora tudo o que quero é tempo pra conquistar outras coisas além de um nome. O nome dele eu já sei.
Esperem por mais notícias sobre a eterna busca de cativar. Cativá-lo.
B.
fevereiro 10, 2011
Sobre cativar
Primeiro pensar duas vezes antes de escrever algo que possa magoar algum leitor. Depois, ver que ser delicada assim nunca me valeu a pena. Hoje escrevo na cara, mesmo. Leia quem ler, meu objetivo é ser sempre sincera, doa quem doer.
Primeiro dia, subitamente ele me chamou a atenção, era óbvio. Ele era a pessoa mais diferente entre umas cinquenta. Segundo dia, eu o vi e arrisquei sorrisos e comprimentos. Terceiro dia não o vi e senti sua falta. Quarto dia trocamos olhares.
Nada nele é muito bom, me entendem? Não é uma pessoa atraente pelo seu físico, nem mesmo pelas roupas que, hoje em dia, é sinônimo de beleza física (ou não) pra mim. Eu realmente procuro saber o que nele me faz sentir com tanta vontade de chegar perto.
Então, me considerei uma pessoa totalmente azarada. Algo nele não fez mais sentido. Algo que, talvez seja uma opção, talvez não. Não teve culpa, de certo, ele jamais saberia que um dia, uma garota como eu pudesse se distanciar pela sua opção.
Eu, como uma pseudo-otimista, ainda tenho esperanças de que minhas fontes estejam erradas. Afinal, só preciso de mim. Vou fazer tudo sozinha. Esperem então, por novidades.
Não, leitores, não estou apaixonada.
Isto é um texto sobre cativar alguém, e não se preocupem.
Sou totalmente responsável por aquilo que cativo.
B.
Primeiro dia, subitamente ele me chamou a atenção, era óbvio. Ele era a pessoa mais diferente entre umas cinquenta. Segundo dia, eu o vi e arrisquei sorrisos e comprimentos. Terceiro dia não o vi e senti sua falta. Quarto dia trocamos olhares.
Nada nele é muito bom, me entendem? Não é uma pessoa atraente pelo seu físico, nem mesmo pelas roupas que, hoje em dia, é sinônimo de beleza física (ou não) pra mim. Eu realmente procuro saber o que nele me faz sentir com tanta vontade de chegar perto.
Então, me considerei uma pessoa totalmente azarada. Algo nele não fez mais sentido. Algo que, talvez seja uma opção, talvez não. Não teve culpa, de certo, ele jamais saberia que um dia, uma garota como eu pudesse se distanciar pela sua opção.
Eu, como uma pseudo-otimista, ainda tenho esperanças de que minhas fontes estejam erradas. Afinal, só preciso de mim. Vou fazer tudo sozinha. Esperem então, por novidades.
Não, leitores, não estou apaixonada.
Isto é um texto sobre cativar alguém, e não se preocupem.
Sou totalmente responsável por aquilo que cativo.
B.
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