setembro 26, 2012

Dê um laço

"Há a possibilidade de um dia a gente se ver novamente?"
Tenho pensado muito nessa frase. Engana-se quem acha que falo somente de um relacionamento amoroso. Às vezes nós temos perdas que vão muito além disso.
O que busco, hoje? Um pouco de paz, um bom emprego, boas notas na faculdade, um amor, e alguns doces estocados na geladeira. Ou simplesmente orgulho do que já foi traçado até aqui, de todos os tombos e pancadas que a vida deu, e dos bônus que coletei pelo caminho?
Não quero me arrepender, de nada. Quero poder sorrir ao falar de mim mesma. Contar aos outros sobre os lugares que já passei, as pessoas que conheci, os homens que já dormi, e quero poder sentir uma boa nostalgia. Quero pensar na possibilidade de repetições: reatar laços.
O meu laço hoje, nada mais é que uma fita longa, embaraçada. Não quero mais essa confusão, esse problema. Quero dar mais nós firmes, fazer desenhos sofisticados com essa fita, repetir técnicas.
Não quero guardar rancor, não quero ainda estar magoada, não quero uma próxima vida para ter contato novamente. Quero voltar a tocar, a respirar, a sonhar com o que me marcou positivamente.
Por favor, há a possibilidade de um dia a gente se ver novamente? 



B.

setembro 12, 2012

Beérre


Durante uma noite de linhas desalinhadas, diferente das linhas desenhadas em seu corpo, foi assim que congelaria seus olhares. E todos irão dizer que eu estou cega, que quando eu vi seu rosto,  você borrou minha mente, mas poderíamos, você e eu, ter sorte dessa vez? 
Diga-me se você sabe que isso parece estar apaixonado pela primeira vez. Sua escolha é ir embora agora, ou nunca mais sair, pois tenho um desejo malvado, e que fique claro que meus olhos claros estão cegos, e que quando eu vi seu rosto, você borrou minha mente, mas finalmente, você e eu, teremos sorte dessa vez.

B.

setembro 08, 2012

Nuvem

O dia acaba quando ele começa após uma noite na qual sonhei com você. A verdade é que pra mim, "desde que", não há nada pior.
Sempre preferi não sonhar, não ir pra outro lugar, outra realidade. Mas hoje você veio me visitar, um pesadelo. Primeiro que nós estávamos juntos. Segundo que eu estava feliz. Terceiro que você só queria sexo.
A vida é muito injusta, e eu não consigo lidar bem com o fato de que, além de você estar longe, alem de tudo o que me fez, eu não consigo me livrar de você. Eu já nem me lembrava, te citei, talvez, uma ou duas vezes, superficialmente, no dia anterior.
Mas você insiste em aparecer. Depois de tudo que levou de mim, levar minhas noites de sono é cruel. Ocupar um espaço dentro dos meus sonhos que poderiam permanecer vazios. Ou serem ocupados por outras coisas, outras pessoas, outro amor.
Não suporto ouvir sua voz, não consigo aceitar seus sorrisos, seu rosto entre o esbranquiçado cenário, como se vivesse entre uma nuvem... E por que não me deixa em paz, não me permite que te esqueça? Eu não quero mais um fantasma, e você tem sido o mais assombroso deles.
Eu não quero te amar. Boa sorte. Adeus.



B.

agosto 25, 2012

Desde que

Tentava tocar a vida, mas desde que ele se foi, sentia-se tão só...

junho 25, 2012

Seque os olhos

Lembre-se de mim quando o nariz começar a sangrar. Apenas dezenove, sonhos obscenos com seis meses presa por um mau comportamento.
Só lhe digo, que não diga que não vale a pena, desde que dei uma cambalhota sobre seu corpo, o vinho que bebíamos durante o filme, o sangue que limpamos do seu lençol.
Lembre-se de mim, todos os sonhos materializados, todas as noites sem sonhos, sem dormir. Eu espero que você volte atrás, eu estou te esperando no meio do caminho. E quando tivermos dinheiro, poderemos falar que o amor não é o suficiente, mas que temos o suficiente.
Lembre-se de mim, das longas viagens e dos presentes que usamos até hoje, das nossas alianças simbólicas, de todos os anéis. Lembre-se das roupas de couro, das lingeries pelo chão, e do cheio da manhã pura.
Lembre-se de mim, da vida árdua que levamos, e da vontade de fugirmos, e do ódio que sentimos dos nossos pais. Lembre-se do carinho, do caminho, e do carrinho de supermercado que encheríamos para levar para nossa casa.
Lembre-se de mim, das lágrimas no escuro, da minha expressão desesperada, e você dizendo... Seque os olhos. Alma gêmea, seque os olhos. Seque os olhos. Porque almas gêmeas nunca morrem.


B.

abril 19, 2012

Aniversário

Hoje é seu décimo oitavo ano.
Parabéns B., por todas suas conquistas.
Sabe tudo o que você queria, que diz respeito a solidão? Morar sozinha, almoçar sozinha, ir ao cinema e ao teatro sozinha, sentar na praça sozinha, dormir totalmente sozinha, e acordar sozinha também, fazer sexo sozinha, ser sua única e repetir que está so-zi-nha... Você conseguiu. Você procurou por tudo isso, coletou tudo isso, compatou tudo isso, e engoliu aos poucos.
Hoje você espera uma possível digestão. Compra seus próprios presentes de aniversário, escreve suas cartas e envia pro seu próprio endereço. Tenta conversar, tenta até se convencer do contrário. Finge que um cigarro é uma boa companhia para um sábado a noite, e que as músicas que você ouve preenchem o vazio que seus amigos deixaram.
Afirma que está apaixonada por si mesma, mas sabe que sente mais por aquela foto presa na porta da geladeira. A foto dele.
E por falar em fotos, tenta se convencer de que suas fotos, na verdade, são tão completas quanto as que sua amiga fotógrafa tirava. O problema não é a imagem final, a pose, ou a luz do dia. É a situação.
Fique bem, minha mulher, B. Muita saúde para aguentar os cigarros, muito dinheiro para se vestir, muita alegria para fingir, muita paz para suprir seus choros, e muito sucesso na sua única e insubstituível vida.
Feliz aniversário.
Eu te amo.

PS. Mas por favor, não continue sempre assim.



B.

abril 18, 2012

Seis meses depois

Repita aquela frase, que nem sempre está certa, sobre dar valor só após perder.
Me explique sobre aquele clichê de sentir falta de algo que nunca teve. Isso é inevitável?
Eu nunca mais olhei nos olhos dele, não sei o quanto brilham hoje. Mas suponho que não brilham.
Volto logo,



B.

novembro 16, 2011

Sem Fala

Quem me conhece sabe que falar nunca foi um problema pra mim, e sim uma solução. Eu realmente não me importo em dizer o que penso, expressar-se por meio da fala, seja por uma crítica, um elogio, ou qualquer outro gênero de expressão, tornou-se necessário quando gestos já não valiam mais que mil palavras.
Quando falamos movimentamos cerca de uma dúzia de músculos da laringe. O ar que sai dos pulmões percorre os brônquios e a traqueia, chegando até a laringe, os músculos se contraem regulando a passagem do ar. Os movimentos fazem as cordas vocais vibrarem e produzirem sons. Chegando a boca, o som laringiano é articulado com a ação da língua, dos lábios, dos dentes, do véu palatino e do assoalho da boca.
A minha situação é que eu deixei de falar porque estava sendo torturada a cada palavra dita. Antes mesmo de alcançar o ar eu já lembrava que minhas opiniões repercutiriam em doses de críticas e reclamações sobre mim, a maioria delas baseada em uma palavra: Drama.
Eu também me acho dramática, creio que exagero muitas vezes nas demonstrações de sentimentos, talvez eu distorça a realidade, amplie tornando-a maior e mais grave do que realmente é. Mas fazer isso por mal, apenas para atuar, nunca foi intencional. Eu sentia, pensava, traduzia isso na minha mente e transformava em palavras... Isso é expressão.
Olhem esse blog! Tudo o que escrevo é desnecessário, são coisas que sinto e penso, é a minha expressão. E talvez seja mesmo, tudo, muito exagerado aqui. Cada palavra que digito poderia ter um tom menos agressivo, ou uma delicadeza mais acentuada. Mas seria eu a escritora? Eu acho que não.
E agora o que me sobrou foi uma dúvida de como agir. Se antes, falar, estava incomodando, eu me redimi, e já não falo mais. Mas me fechar aqui também não parece limpo.



B.

outubro 11, 2011

Semana

Estava demorando demais pra eu começar a chorar. Passei a acreditar que a ficha só caíra agora, e tentei manter a calma pois antes de morrermos, dizem-nos, há felicidade, luz e coisas boas, diferente do que sinto. Ao menos morrer, não vou. Esperar machuca mais do que cair de imediato, é um martírio.
Há muito tempo deixei de ouvir música por prazer, e passei a fazê-lo apenas para sobrepor a voz de dentro da minha mente. Aquela que tento me livrar e não consigo, aquela que me faz chorar e só se vai quando algo maior, grandioso, a sobrepõe... Música para meus ouvidos.
Mas antes tentar livrar-me da consciência, do que da fome que tenho sentido. Sem interrupções, sinto-me faminta toda hora. E quaisquer coisas que levo a boca, voltam. Nojento assim, não consigo mastigar e engolir um só alimento sólido. Há dias que tenho tomado leite, sucos, chás e nada mais.
Entretanto, não se preocupem. Preocupa-me coisas alheias a essas. Preocupo-me com o horário de verão, com a chuva que não para, e com a dor que não cessa- dentro de mim.
Pensei em relatar isso a vocês, mas eu desisti pois não há perguntas a serem respondidas. Simplesmente diriam-me o que não quero ouvir: Toda dor cessa. Toda chuva para. Toda consciência cala... E toda fome mata.



B.

agosto 17, 2011

Agridoce

O dia se arrastou forçando-a a refletir sobre si, o que não era bom, pois dos erros cometidos, estava farta. E dos arrependimentos, idem.
Sentiu-se pandora por abrir a caixa e liberar todo o mal que passou a rondar-lhe. Sentia-se insegura e triste, fracassada e sozinha.
Esperou sentada em sua cadeira de balanço alguma resposta para todas as perguntas que fizera a si durante o dia arrastado. Lembrou-se carinhosamente de transeuntes que mais tarde virariam seus amigos-companheiros-fiéis.
Lembrou-se especialmente do garoto de apenas um olho, aquele que ela dedicava todas as suas tortas, assadas nos fins de tarde, ou no começo das madrugadas.
"Hey, boy with one eye, onde está você que nunca mais me procurou, esquecera de mim?"
O balanço da cadeira intensificou seu sono. Olhou para os ponteiros do relógio que pareciam se movimentar devagar, levando-a a pensar que um segundo demorava demais para passar.
Fechou os olhos e desejou descansar então, mas que dessa vez fosse pra sempre. Só assim encontraria a paz ao lado do garçon avec un œil.

Entretanto, antes de partir para longe, tinha direito a um último desejo. Desejou responder a si mesma uma de suas perguntas, quais não a deixavam em paz. Abriu os olhos, e perguntou-se, em seguida respondeu-se:

- Quando vamos dormir, e acordar sonhando?
- Agora.




B.