Hoje é seu décimo oitavo ano.
Parabéns B., por todas suas conquistas.
Sabe tudo o que você queria, que diz respeito a solidão? Morar sozinha, almoçar sozinha, ir ao cinema e ao teatro sozinha, sentar na praça sozinha, dormir totalmente sozinha, e acordar sozinha também, fazer sexo sozinha, ser sua única e repetir que está so-zi-nha... Você conseguiu. Você procurou por tudo isso, coletou tudo isso, compatou tudo isso, e engoliu aos poucos.
Hoje você espera uma possível digestão. Compra seus próprios presentes de aniversário, escreve suas cartas e envia pro seu próprio endereço. Tenta conversar, tenta até se convencer do contrário. Finge que um cigarro é uma boa companhia para um sábado a noite, e que as músicas que você ouve preenchem o vazio que seus amigos deixaram.
Afirma que está apaixonada por si mesma, mas sabe que sente mais por aquela foto presa na porta da geladeira. A foto dele.
E por falar em fotos, tenta se convencer de que suas fotos, na verdade, são tão completas quanto as que sua amiga fotógrafa tirava. O problema não é a imagem final, a pose, ou a luz do dia. É a situação.
Fique bem, minha mulher, B. Muita saúde para aguentar os cigarros, muito dinheiro para se vestir, muita alegria para fingir, muita paz para suprir seus choros, e muito sucesso na sua única e insubstituível vida.
Feliz aniversário.
Eu te amo.
PS. Mas por favor, não continue sempre assim.
B.
abril 19, 2012
abril 18, 2012
Seis meses depois
Repita aquela frase, que nem sempre está certa, sobre dar valor só após perder.
Me explique sobre aquele clichê de sentir falta de algo que nunca teve. Isso é inevitável?
Eu nunca mais olhei nos olhos dele, não sei o quanto brilham hoje. Mas suponho que não brilham.
Volto logo,
B.
Me explique sobre aquele clichê de sentir falta de algo que nunca teve. Isso é inevitável?
Eu nunca mais olhei nos olhos dele, não sei o quanto brilham hoje. Mas suponho que não brilham.
Volto logo,
B.
novembro 16, 2011
Sem Fala
Quem me conhece sabe que falar nunca foi um problema pra mim, e sim uma solução. Eu realmente não me importo em dizer o que penso, expressar-se por meio da fala, seja por uma crítica, um elogio, ou qualquer outro gênero de expressão, tornou-se necessário quando gestos já não valiam mais que mil palavras.
Quando falamos movimentamos cerca de uma dúzia de músculos da laringe. O ar que sai dos pulmões percorre os brônquios e a traqueia, chegando até a laringe, os músculos se contraem regulando a passagem do ar. Os movimentos fazem as cordas vocais vibrarem e produzirem sons. Chegando a boca, o som laringiano é articulado com a ação da língua, dos lábios, dos dentes, do véu palatino e do assoalho da boca.
A minha situação é que eu deixei de falar porque estava sendo torturada a cada palavra dita. Antes mesmo de alcançar o ar eu já lembrava que minhas opiniões repercutiriam em doses de críticas e reclamações sobre mim, a maioria delas baseada em uma palavra: Drama.
Eu também me acho dramática, creio que exagero muitas vezes nas demonstrações de sentimentos, talvez eu distorça a realidade, amplie tornando-a maior e mais grave do que realmente é. Mas fazer isso por mal, apenas para atuar, nunca foi intencional. Eu sentia, pensava, traduzia isso na minha mente e transformava em palavras... Isso é expressão.
Olhem esse blog! Tudo o que escrevo é desnecessário, são coisas que sinto e penso, é a minha expressão. E talvez seja mesmo, tudo, muito exagerado aqui. Cada palavra que digito poderia ter um tom menos agressivo, ou uma delicadeza mais acentuada. Mas seria eu a escritora? Eu acho que não.
E agora o que me sobrou foi uma dúvida de como agir. Se antes, falar, estava incomodando, eu me redimi, e já não falo mais. Mas me fechar aqui também não parece limpo.
B.
Quando falamos movimentamos cerca de uma dúzia de músculos da laringe. O ar que sai dos pulmões percorre os brônquios e a traqueia, chegando até a laringe, os músculos se contraem regulando a passagem do ar. Os movimentos fazem as cordas vocais vibrarem e produzirem sons. Chegando a boca, o som laringiano é articulado com a ação da língua, dos lábios, dos dentes, do véu palatino e do assoalho da boca.
A minha situação é que eu deixei de falar porque estava sendo torturada a cada palavra dita. Antes mesmo de alcançar o ar eu já lembrava que minhas opiniões repercutiriam em doses de críticas e reclamações sobre mim, a maioria delas baseada em uma palavra: Drama.
Eu também me acho dramática, creio que exagero muitas vezes nas demonstrações de sentimentos, talvez eu distorça a realidade, amplie tornando-a maior e mais grave do que realmente é. Mas fazer isso por mal, apenas para atuar, nunca foi intencional. Eu sentia, pensava, traduzia isso na minha mente e transformava em palavras... Isso é expressão.
Olhem esse blog! Tudo o que escrevo é desnecessário, são coisas que sinto e penso, é a minha expressão. E talvez seja mesmo, tudo, muito exagerado aqui. Cada palavra que digito poderia ter um tom menos agressivo, ou uma delicadeza mais acentuada. Mas seria eu a escritora? Eu acho que não.
E agora o que me sobrou foi uma dúvida de como agir. Se antes, falar, estava incomodando, eu me redimi, e já não falo mais. Mas me fechar aqui também não parece limpo.
B.
outubro 11, 2011
Semana
Estava demorando demais pra eu começar a chorar. Passei a acreditar que a ficha só caíra agora, e tentei manter a calma pois antes de morrermos, dizem-nos, há felicidade, luz e coisas boas, diferente do que sinto. Ao menos morrer, não vou. Esperar machuca mais do que cair de imediato, é um martírio.
Há muito tempo deixei de ouvir música por prazer, e passei a fazê-lo apenas para sobrepor a voz de dentro da minha mente. Aquela que tento me livrar e não consigo, aquela que me faz chorar e só se vai quando algo maior, grandioso, a sobrepõe... Música para meus ouvidos.
Mas antes tentar livrar-me da consciência, do que da fome que tenho sentido. Sem interrupções, sinto-me faminta toda hora. E quaisquer coisas que levo a boca, voltam. Nojento assim, não consigo mastigar e engolir um só alimento sólido. Há dias que tenho tomado leite, sucos, chás e nada mais.
Entretanto, não se preocupem. Preocupa-me coisas alheias a essas. Preocupo-me com o horário de verão, com a chuva que não para, e com a dor que não cessa- dentro de mim.
Pensei em relatar isso a vocês, mas eu desisti pois não há perguntas a serem respondidas. Simplesmente diriam-me o que não quero ouvir: Toda dor cessa. Toda chuva para. Toda consciência cala... E toda fome mata.
B.
Há muito tempo deixei de ouvir música por prazer, e passei a fazê-lo apenas para sobrepor a voz de dentro da minha mente. Aquela que tento me livrar e não consigo, aquela que me faz chorar e só se vai quando algo maior, grandioso, a sobrepõe... Música para meus ouvidos.
Mas antes tentar livrar-me da consciência, do que da fome que tenho sentido. Sem interrupções, sinto-me faminta toda hora. E quaisquer coisas que levo a boca, voltam. Nojento assim, não consigo mastigar e engolir um só alimento sólido. Há dias que tenho tomado leite, sucos, chás e nada mais.
Entretanto, não se preocupem. Preocupa-me coisas alheias a essas. Preocupo-me com o horário de verão, com a chuva que não para, e com a dor que não cessa- dentro de mim.
Pensei em relatar isso a vocês, mas eu desisti pois não há perguntas a serem respondidas. Simplesmente diriam-me o que não quero ouvir: Toda dor cessa. Toda chuva para. Toda consciência cala... E toda fome mata.
B.
agosto 17, 2011
Agridoce
O dia se arrastou forçando-a a refletir sobre si, o que não era bom, pois dos erros cometidos, estava farta. E dos arrependimentos, idem.
Sentiu-se pandora por abrir a caixa e liberar todo o mal que passou a rondar-lhe. Sentia-se insegura e triste, fracassada e sozinha.
Esperou sentada em sua cadeira de balanço alguma resposta para todas as perguntas que fizera a si durante o dia arrastado. Lembrou-se carinhosamente de transeuntes que mais tarde virariam seus amigos-companheiros-fiéis.
Lembrou-se especialmente do garoto de apenas um olho, aquele que ela dedicava todas as suas tortas, assadas nos fins de tarde, ou no começo das madrugadas.
"Hey, boy with one eye, onde está você que nunca mais me procurou, esquecera de mim?"
O balanço da cadeira intensificou seu sono. Olhou para os ponteiros do relógio que pareciam se movimentar devagar, levando-a a pensar que um segundo demorava demais para passar.
Fechou os olhos e desejou descansar então, mas que dessa vez fosse pra sempre. Só assim encontraria a paz ao lado do garçon avec un œil.
Entretanto, antes de partir para longe, tinha direito a um último desejo. Desejou responder a si mesma uma de suas perguntas, quais não a deixavam em paz. Abriu os olhos, e perguntou-se, em seguida respondeu-se:
- Quando vamos dormir, e acordar sonhando?
- Agora.
B.
Sentiu-se pandora por abrir a caixa e liberar todo o mal que passou a rondar-lhe. Sentia-se insegura e triste, fracassada e sozinha.
Esperou sentada em sua cadeira de balanço alguma resposta para todas as perguntas que fizera a si durante o dia arrastado. Lembrou-se carinhosamente de transeuntes que mais tarde virariam seus amigos-companheiros-fiéis.
Lembrou-se especialmente do garoto de apenas um olho, aquele que ela dedicava todas as suas tortas, assadas nos fins de tarde, ou no começo das madrugadas.
"Hey, boy with one eye, onde está você que nunca mais me procurou, esquecera de mim?"
O balanço da cadeira intensificou seu sono. Olhou para os ponteiros do relógio que pareciam se movimentar devagar, levando-a a pensar que um segundo demorava demais para passar.
Fechou os olhos e desejou descansar então, mas que dessa vez fosse pra sempre. Só assim encontraria a paz ao lado do garçon avec un œil.
Entretanto, antes de partir para longe, tinha direito a um último desejo. Desejou responder a si mesma uma de suas perguntas, quais não a deixavam em paz. Abriu os olhos, e perguntou-se, em seguida respondeu-se:
- Quando vamos dormir, e acordar sonhando?
- Agora.
B.
julho 28, 2011
Uma terceira língua
A vida me deu um tapa na cara.
Avisou-me desde o início que eu pagaria por todos os crimes cometidos. Ela me deu uma carta branca pra fazer o que quiser, contanto que eu estivesse ciente. Eu estava, juro!
Resolvi brincar de abrir meus olhos, e eu até cantei, me diverti mesmo, as custas de quem não merecia. Mas pensei estar caminhando segura. Eu olhava para meus pés, firmes ao chão, sorria pra vida e ela pra mim.
"Brincadeiras tem limite", dizia ela, começando a me assustar. Mas me deu tanto poder que eu não tinha mais onde guardá-lo. Usei de tal forma desperdiçada, que derrepente, não havia mais aquele pó brilhante em minhas mãos.
Resolvi viajar, e a falta do pó brilhante (que não serve para cheirar, comer, ou fumar, apenas para "gozar") começou a me incomodar. Havia algo estranho, minhas mãos e a vida estavam... Vazias.
Foi aí que eu apanhei dela.
Marcas no meu rosto denunciam: A vida me deu um tapa na cara.
Eu fui avisada...
B.
julho 07, 2011
César
Era um dia ruim, sem sol, no qual eu poderia ter colocado qualquer roupa que me apagasse ainda mais nas ruas vazias e feias da cidade. Mas escolhi algo que sem querer me destacaria.
Caminhei até o cruzamento onde cada esquina há uma loja cara de roupa, e antes de atravessar a rua, percebi que estava sendo olhada por ele. De longe ele se destacava pelo cabelo mais claro na raiz, encostado na parede aquecida de uma das lojas do cruzamento. Ele fumava um cigarro enquanto me olhava desde os pés, indiferente, reparando na minha roupa.
Eu resolvi entrar pelo outro lado da loja para não encará-lo, mas ao entrar, ele subiu os três degraus, localizados ao lado da parede aquecida, jogou o cigarro no chão, e entrou na loja.
Fiz de tudo para não olhá-lo nos olhos, e consequentemente não ter que cumprimentá-lo. Eu me perguntava o que ele estaria pensando naquele momento. Talvez ele se surpreendera comigo, afinal estou diferente da pessoa que ele conheceu na época. Ou simplesmente gostaria de sorrir pra mim.
Eu, covarde, fiz de tudo para não virar, não olhá-lo nos olhos, e não cumprimentá-lo. Mas em uma loja com quatro paredes e nenhum corredor, seria impossível.
Eu olhei para o chão, coloquei as mãos dentro do bolso da jaqueta, e rapidamente desci três degraus, localizados ao lado de uma parede aquecida. E em pensamento, disse "Adeus, César."
B.
Caminhei até o cruzamento onde cada esquina há uma loja cara de roupa, e antes de atravessar a rua, percebi que estava sendo olhada por ele. De longe ele se destacava pelo cabelo mais claro na raiz, encostado na parede aquecida de uma das lojas do cruzamento. Ele fumava um cigarro enquanto me olhava desde os pés, indiferente, reparando na minha roupa.
Eu resolvi entrar pelo outro lado da loja para não encará-lo, mas ao entrar, ele subiu os três degraus, localizados ao lado da parede aquecida, jogou o cigarro no chão, e entrou na loja.
Fiz de tudo para não olhá-lo nos olhos, e consequentemente não ter que cumprimentá-lo. Eu me perguntava o que ele estaria pensando naquele momento. Talvez ele se surpreendera comigo, afinal estou diferente da pessoa que ele conheceu na época. Ou simplesmente gostaria de sorrir pra mim.
Eu, covarde, fiz de tudo para não virar, não olhá-lo nos olhos, e não cumprimentá-lo. Mas em uma loja com quatro paredes e nenhum corredor, seria impossível.
Eu olhei para o chão, coloquei as mãos dentro do bolso da jaqueta, e rapidamente desci três degraus, localizados ao lado de uma parede aquecida. E em pensamento, disse "Adeus, César."
B.
junho 09, 2011
Redespertando Medusa
São dezenove horas, acorde Medusa
Abra seus olhos, levante a cabeça e olhe para traz
Permaneça sentada, seduze-o sem seu corpo
Use do único artificio, o primeiro notado e mais assustador
Diga "verdes" Medusa. Agora diga "azuis"
Umideça os lábios, limpe todo o musgo
Sorria
Alise seus cabelos, esconda as cobras
Sorria
Diga tudo o que ele quer ouvir mas nunca minta
Apenas seduze-o
Despreze as consequências, atrase seu relógio
Tente olhar em seus olhos, mais fundo, mais fundo, mais fundo
Não diga adeus, e...
É meia-noite, durma Medusa.
B.
Abra seus olhos, levante a cabeça e olhe para traz
Permaneça sentada, seduze-o sem seu corpo
Use do único artificio, o primeiro notado e mais assustador
Diga "verdes" Medusa. Agora diga "azuis"
Umideça os lábios, limpe todo o musgo
Sorria
Alise seus cabelos, esconda as cobras
Sorria
Diga tudo o que ele quer ouvir mas nunca minta
Apenas seduze-o
Despreze as consequências, atrase seu relógio
Tente olhar em seus olhos, mais fundo, mais fundo, mais fundo
Não diga adeus, e...
É meia-noite, durma Medusa.
B.
abril 28, 2011
Maré vermelha
A vida se maquia. Finge ser longa, passar devagar, ser um acúmulo de fatos, alí, concentrados como a borra de café.
Enquanto isso eu finjo que acredito nela. Eu finjo sentir tédio, finjo querer que ela se acelere.
Eu converso com o tempo, dissimulo, quando na verdade ele é o único confiável entre todos. Só confio no tempo. E mesmo assim, minto pra ele. Peço que ele corra, avance, me dê uma carona para que eu chegue mais rápido ao que desejo.
O tempo é bom comigo. Mas eu aprendi a ser uma atriz, maquiada de vermelho, como a vida.
Sou aquela que se solta do corpo, deita na água fingindo acreditar que é uma maré vermelha, mas ciente de que há correnteza, e ela me carrega.
Meus senhores, não confiem em mim.
B.
Enquanto isso eu finjo que acredito nela. Eu finjo sentir tédio, finjo querer que ela se acelere.
Eu converso com o tempo, dissimulo, quando na verdade ele é o único confiável entre todos. Só confio no tempo. E mesmo assim, minto pra ele. Peço que ele corra, avance, me dê uma carona para que eu chegue mais rápido ao que desejo.
O tempo é bom comigo. Mas eu aprendi a ser uma atriz, maquiada de vermelho, como a vida.
Sou aquela que se solta do corpo, deita na água fingindo acreditar que é uma maré vermelha, mas ciente de que há correnteza, e ela me carrega.
Meus senhores, não confiem em mim.
B.
abril 15, 2011
Bilhete à Mamãe
Bom dia, Mamãe,
A essas horas estou longe.
Deixei meu celular sobre a cama
Deixei aberto o meu quarto
Bebi teu licor
Eu limpei minha vida
Fiz um tipo de aborto
Joguei a cópia da chave por debaixo da porta, que é pra não ter motivo de pensar numa volta
A culpa não é sua, nem minha. Somos assim.
Boa sorte,
Adeus.
B.
A essas horas estou longe.
Deixei meu celular sobre a cama
Deixei aberto o meu quarto
Bebi teu licor
Eu limpei minha vida
Fiz um tipo de aborto
Joguei a cópia da chave por debaixo da porta, que é pra não ter motivo de pensar numa volta
A culpa não é sua, nem minha. Somos assim.
Boa sorte,
Adeus.
B.
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